A presente pesquisa tem por objetivo analisar cinco obras da coleção Contos de Moçambique, da editora Kapulana, para compreender as especificidades da literatura infantil moçambicana. A pesquisa surge da necessidade de estudos nas universidades brasileiras sobre a literatura africana, em especial a infantil e infanto juvenil, aliado a ausência dessas obras nas instituições da Educação Básica e desconhecimento dos professores a respeito desse campo literário. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica, com destaque para os autores Napido (2018), Almeida (2019), França (2019), Cruz (2018), Garcia (2014), Rosário (1989) e Paz (2017). O trabalho foi organizado em três capítulos. O primeiro, discute a origem da literatura infantil moçambicana, apontamos os principais autores e obras. Além disso, apresentamos as características gerais de quatorze obras infantis moçambicanas e informações relevantes sobre os espaços de circulação dessa literatura. O segundo capítulo, descreve os caminhos percorridos da literatura infantil moçambicana no Brasil, destacamos a importância da Lei 10.639 promulgada no ano de 2003, a qual torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-brasileira nas escolas de níveis fundamentais e médios, nesse processo de consolidação dessas literaturas no país. Apresentamos as principais coleções publicadas e destacamos as editoras que se destacam no trabalho com a produção literária africana. O terceiro capítulo é dedicado a análise das seguintes obras da Coleção Contos de Mocambique: O rei mocho, de Ungulani Ba Ka Khosa, As armadilhas da floresta, de Hélder Faife, O caçador de ossos, de Carlos dos Santos, Leona, a filha do silêncio, de Marcelo Panguana e O pátio das sombras, de Mia Couto. A leitura dos textos selecionados foi realizada com base nos elementos da narratividade: narrador, enredo, personagens, espaço, tempo, ilustração, tema e reconto. Como principais resultados apontamos que a literatura infantil moçambicana é caracterizada pela ancestralidade, memória, oralidade e identidade de Moçambique. Por meio da técnica de recontar histórias, os autores exercitam o pensar Sankofa ao recontarem narrativas da tradição oral para preservação da cultura e possibilitar um futuro para as crianças com base nos princípios ancestrais transmitidos de geração em geração.


